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Obrigado, Corinthians!

Posted in Corinthians on 02/09/2010 by biones

Há uns minutos, o dia 1º de setembro de 2010, centenário do Sport Club Corinthians Paulista virou dia 2. Consegui botar um pouco a cabeça no lugar e finalmente vou conseguir escrever o texto que eu queria para homenagear o meu Coringão. Em primeiro lugar, obrigado, Corinthians, muito obrigado. Por me fazer gostar de futebol, por me mostrar que a raça e a dedicação valem muito, por me fazer rir, chorar, comemorar e até mesmo lamentar. Porque é nas derrotas, mais do que nas vitórias, que se molda um caráter.

Vou começar isso aqui confessando uma coisa: eu não nasci corintiano. Ou melhor, nasci, mas demorei um tempo pra me convencer de que era. Meu pai, assim como a minha avó e o pai dela, é santista (meu bisavô até foi vice-presidente do Santos, nos anos 20, época em que os astros do time eram Araken Patusca e Feitiço). Mas ele nunca foi muito de assistir jogos, torcer, nunca fez questão de me colocar na frente da TV pra ver o time dele jogar. Por isso, acompanhei muito pouco futebol nos meus primeiros anos.

Foi só quando eu voltei de um ano morando no Canadá, aos cinco anos, em 84, e fui morar em um prédio em São José dos Campos, que eu comecei a ter mais contato com o esporte. Pra dar uma ideia de como eu não sabia nada, eu tinha uma bola e da primeira vez que eu fui jogar com a molecada do prédio, já paguei mico. Alguém chutou a bola pra fora e outro gritou ‘nossa!’ e eu fiquei falando ‘poxa, mas a bola é minha…’

Nessa época, como todo menino, só queria saber de agradar meu pai, e inventei de falar que torcia pro Santos, pra ver se o véio ficava feliz, mas nunca fiquei vendo jogo e torcendo de verdade pro time. Na Copa de 86, comecei a ver um pouco mais atentamente os jogos. E foi vendo a Copa União, no ano seguinte, que um time alvinegro, bom a ponto de fazer 10 a 1 em um tal de Tiradentes, começou a chamar a minha atenção.

Nesse meio tempo, meu primo começou a torcer pro Corinthians e logo trouxe pra Fiel o meu irmão. Os dois são pouco mais de dois anos mais novos do que eu e gostavam mais de ver futebol, só ficavam me falando do time. O Corinthians se sagrou campeão paulista de 1988, com um gol de carrinho de um garoto chamado Viola. Dois anos depois, mais um gol de carrinho, desta vez do Tupãzinho na final do Brasileiro contra o SPFW, me arrebatou de vez. Desde então, essa força chamada Corinthians tomou conta de mim, de um jeito que eu nunca poderia imaginar.

Comecei a acompanhar mais de perto e, a cada jogo, a cada vitória e cada derrota, gostava mais e mais do clube do povo. Em 93, de tanto encher o saco, eu e meu irmão convencemos o véio a nos levar ao Pacaembu. Nunca vou esquecer aquele sábado à tarde: vitória por 2 a 0 sobre o Inter de Porto Alegre, gols de Tupãzinho e Leto. No ano seguinte, o primeiro clássico: 2 a 2 contra os bambis no Morumbi, com gols de Tupãzinho e do incrível Gralak, numa cobrança de falta tão forte que deu pra ouvir o barulho do pé dele batendo na bola lá do alto da arquibancada.

Vendo e sofrendo com o Corinthians, tive muitas alegrias. Me lembro de ver a final do Brasileiro de 98 na antiga redação da Gazeta Esportiva, no prédio da Folha, a do Brasileiro de 99 em pleno Morumbi, cercado de grandes amigos, a do Mundial de 2000 na casa do Alê, um desses grandes amigos, a do Paulistão 95 no apartamento em que eu morava em São José (jogo que terminou com meu irmão abraçado comigo, ensopando meu ombro de lágrimas), a da Copa do Brasil 95 também com meu irmão.

Todos esses momentos foram inesquecíveis, como outros jogos, que não significaram títulos, mas marcaram muito. A vitória sobre o Santos no último segundo na semifinal do Paulista de 2001, gol do Ricardinho. No ano anterior, estava no Pacaembu para um jogo contra o Rosário Central, da Argentina, pela Libertadores e vi o espetacular Dida defender três pênaltis pra nos classificar pras semifinais, depois de uma vitória por 3 a 2 no tempo normal.

Também vi, outras vezes, o Corinthians perder. Perder sem lutar, uma desgraça pra um corintiano que se preze. Perder sem conseguir lutar, que dói um pouco menos. Perder lutando muito, que é uma coisa que valorizamos muito. E me lembro de duas vezes que o Corinthians me fez chorar de tristeza: depois da derrota injustificável pro Palmeiras na semifinal da Libertadores de 2000 (quase quebrei a mão dando um murro na parede quando o Marcelinho perdeu o pênalti) e depois do jogo contra o Grêmio em 2007, que decretou o rebaixamento pra Série B. Confesso, chorei dentro do banheiro da redação, porque estava de plantão nesse dia.

Mas o que mais me emociona e sempre me emocionou quando o assunto é Corinthians é a Fiel. É uma coisa linda ver o Pacaembu lotado, todo mundo cantando sem parar, empurrando o time. Quem estava lá na noite que o Timão derrotou o Cianorte, do Paraná, pela Copa do Brasil de 2005, por 5 a 1, precisando de cada um dos quatro gols de diferença, depois de levar um dos gols mais impedidos da história do futebol, nunca vai esquecer.

Por tudo isso, muito obrigado, Corinthians. Muito obrigado por essa vida de luta, de vitórias e de derrotas, de craques e cabeças de bagre, de momentos lindos da torcida e de alguns nem tanto. Obrigado, feliz centenário e que a sua história continue sendo sempre uma das mais bonitas do futebol.

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